Uma mãe de 30.

Sempre gostei de aniversários, sempre me empolguei e planejei comemorações, sempre gostei de ter o MEU dia. Isso mudou no primeiro aniversário que tive como mãe. Eu completava 26 anos e naquele dia só chorei. Lembro que minha mãe me deu uma roupa bonita – que cabia em mim, porque meu filho tinha um mês e meio de vida e eu ainda estava bastante inchada – e tudo o que eu consegui dizer foi: pena que só vou poder usar nas consultas da pediatra, é o único momento em que saio de casa. Chorei porque estava exausta, porque não conseguia dormir, porque meu cabelo – do qual sempre cuidei muito e com muito apreço – estava desgrenhado, porque a minha pele estava mal cuidada, porque eu não “podia” sair de casa, porque eu estava enfrentando uma depressão pós parto.

Quando completei 27, nem me lembro. Aqui estou eu sentada escrevendo esse texto, mas incapaz de me lembrar se houve alguma comemoração. Provavelmente vou ter que buscar nas redes sociais. No ano dos meus 27, meu filho completou um ano de idade e essa data passou a ser muito mais importante que o meu aniversário. Muito provavelmente por isso eu não seja exatamente capaz de me lembrar com detalhes o que aconteceu no “meu dia”. Não era mais meu dia, era apenas um dia.

Mas foi em 2013, ano em que ia completar 28 anos, que voltei para a terapia. Nesse ano, lembro bem, comecei a perceber que eu não era apenas uma mãe, mas uma mulher, e que se aniversários eram datas importantes antes do meu filho chegar, eu precisava preservar isso. Decidi que ia me dar um dia e fui com o marido, sem bebê, almoçar num lugar muito bacana e bem longe de casa. Foi ótimo, foi um “respiro” na minha rotina, foi um dia só meu. Foi muito feliz.

Em 2014, ano dos meus 29, resolvi comemorar com os amigos. Bem, na verdade, me senti um pouco cobrada – por mim mesma – a fazer uma comemoração que incluísse família e amigos mais íntimos. Depois que tive meu filho, os amigos foram pra segundo ou terceiro plano na escala de prioridades e a maior forma de contato que eu tinha com eles era via redes sociais. Sair com os amigos era pouco provável. Então reuni os poucos e bons em um restaurante. Foi um pouco caótico, eu não sou muito boa em dar atenção pra muita gente ao mesmo tempo, mas, novamente, foi o MEU dia com os MEUS amigos. E é necessário ver os amigos, mesmo que não com a frequência pré gravidez.

Esse ano não vou comemorar. E não porque eu esteja chateada ou passando por alguma fase “eu não quero envelhecer”, mas porque tem sido um ano de muitos gastos e investimentos pra mim. Troquei as comemorações pelo meu curso de fotografia. Uma coisa minha, uma coisa pra mim. Vou “trintar” e isso não me preocupa. Desde que percebi que podia gostar das minhas coisas sem me tornar uma “mãe desnaturada” (aliás, o que quer dizer isso? é um termo aplicado a tanta coisa boba que nem sei), me preocupo menos com como vivo a minha vida. Se pudesse, tirava o dia pra mim. Só pra mim. E sem culpa.

Antes de sermos mães, somos mulheres. E precisamos – PRECISAMOS mesmo – ter o nosso espaço. Tudo do filho é importante, mas nós também somos. Um dia no ano que seja só seu é um dia a ser comemorado da forma que for! E eu não vou fazer uma comemoração formal, mas celebro todos os dias o fato de eu ser eu e dentro do meu “eu” existir, também, a mãe do Dudu.

Na próxima segunda, dia 27, eu completo meus 30 anos e aceito o carinho virtual de todos! 😛

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E se eu emagrecer?

Ontem conversava com um amigo sobre essa questão de emagrecimento. Quem me acompanha por outras redes sociais sabe que eu milito mesmo a causa do “todo corpo é um bom corpo”, especialmente porque sofri na adolescência e no início da idade adulta por ser gorda. Isso me rendeu muitas ótimas amizades, inclusive um grupo que troca dicas, discute problemas e divide coisas boas e ruins diariamente e do qual adoro fazer parte. Esse amigo questionou se eu seria excluída do grupo caso emagrecesse, afinal, ele sabe que eu faço uma reeducação alimentar com a LCHF (low carb high fat, qualquer dia faço um post contanto como funciona) e que, por conta disso, desde que comecei, emagreci uns 10kg (e continuo gorda, gente, porque pra eu ser magra tenho que emagrecer uns 30kg!).

Nunca pensei sobre isso. Até porque, na minha cabeça, eu nunca vou ser magra. Eu tenho um biotipo que dificulta bastante as coisas no quesito “emagrecimento”: eu engordo com toda a facilidade do mundo e demoro pra emagrecer. Isso somado ao fato de eu não ser a pessoa mais paciente do mundo, que é o que facilita a auto sabotagem quando tento fazer dietas.

Eu conheço gente que fez e faz todo o esforço do mundo pra ser/se manter magro e não fico apontando isso ou aquilo a respeito dessas pessoas. Acho, de verdade, que é uma escolha de cada um. Não é uma apologia ao “não saudável”, mas já foi até provado cientificamente que não é exatamente a relação do peso que deixa alguém insalubre (depois eu procuro os artigos e posto, vocês vão ficar surpresos). Eu é que não tenho disposição (não estou disposta, com licença!) a fazer um esforço extra. Me adaptei extremamente bem à LCHF e por isso continuei, mesmo não vendo um resultado tão maravilhoso como o das pessoas que fazem o tal esforço extra (e que, às vezes, nem consideram isso “extra”, hehe). E quanto aos exercícios, falo sem dó que faço o que posso. Não vou acordar mais cedo pra malhar, não vou dormir mais tarde pra malhar. Eu malho quando dá, dentro do tempo que eu tenho disponível, sem sacrificar sono ou outra atividade do meu dia a dia. Ah, e eu não passo nem na porta da academia no fim de semana! Pra mim, isso é esforço extra. “Então vai ficar gorda a vida toda!”, já imagino alguém dizer. E vou, né, fazer o quê? 🙂

Ser saudável não é ser obcecado por um corpo ideal pregado pela mídia. E essa é a bandeira que eu tento levantar diariamente, mesmo que eu seja uma formiguinha no meio de um mar de blogueiras fitness. Você pode (e deve) ter o corpo que quer ter, seja ele magro e sarado, seja ele gordo. Mas você precisa, e isso eu falo de coração, saber os limites do seu corpo e do que você quer fazer com ele. Essa semana, uma amiga falou sobre um momento da vida em que vivenciou um distúrbio alimentar e perdeu metade do seu peso corporal. Pra sociedade, a experiência foi ótima. Visivelmente e dentro dos padrões considerados “saudáveis”, ela havia emagrecido e ganho saúde. Mas desmaiava pelas ruas, se alimentava minimamente, foi parar num hospital. Eu fiquei bastante impressionada.

E quanto ao meu grupo de amigas, espero que não me excluam caso eu venha a emagrecer mais um pouco com a LCHF, haha… Não é o meu objetivo e eu sequer me esforço o suficiente (opa, a sociedade diz que não me esforço!) pra que isso aconteça, mas saibam que eu tenho muito apreço por todas. E, mais importante, tenho muito apreço pela beleza possível, que é a que todo mundo tem, independente do que a mídia prega (e photoshopa) por aí.

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Eita, blogueira, segura esse forninho!

Digo que isso aqui é, também, um blog de “moda” e “beleza”, mas não fiz um post sequer sobre isso ainda! Quem me acompanha também no Instagram já deve ter visto que posto, quase que diariamente, drops sobre esses assuntos. Sempre que encontro um espelho decente (ou mesmo indecente, tipo o do meu banheiro, que revela toda a bagunça e, ainda por cima, é jateado com um desenho meio brega), faço uma foto do que estou vestindo e sempre que compro ou ganho um produtinho novo, faço questão de fotografar e dividir. O Instagram me parece um meio tão apropriado pra isso que acabo esquecendo de passar essas publicações pra cá, deixando esse espaço pras minhas reflexões comportamentais.

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Talvez “moda” e “beleza” não sejam mesmo tanto a minha praia na blogosfera! Primeiro porque eu acompanho diversas blogueiras maravilhosas que lidam com esses tópicos tão bem que sigo suas dicas. E segundo que sou um pouco impaciente pra resenhar/testar produtos de forma organizada que renda textos, sempre vou na fé e se eu gostar, recomendo pra todo mundo mesmo. Se não gostar, paro de usar e sigo a vida. Isso vale tanto pros cosméticos – sou ALOKA, adoro e sempre que posso tô comprando uma novidadinha – quanto pra roupas, sapatos e bolsas (e serviços).

Então não fiquem chateadas/os se eu custo a fazer postagens desses temas e fico sendo a chata das postagens reflexivas sobre maternidade, auto estima, etc. Ainda preciso de uma boa dose de planejamento pra lidar com esse espaço aqui. E prometo – não é uma promessa de político brasileiro, juro! – tentar esquematizar algo esse fim de semana!

Ah, e aceito sugestões!

P.S.: ainda vou bolar um post falando da minha coleção de camisetas, quem me acompanha nas redes sociais sabe que eu adoro uma camiseta com estampa “bacana”! 🙂

Pode me chamar de gorda.

Pode me chamar de gorda. Não vou dizer que não vou ficar chateada, que não me atinge porque “gorda” é um adjetivo que não define caráter. Me atinge sim porque a sua intenção ao me chamar de gorda é a de me diminuir. Me atinge de tal forma que mesmo lutando diariamente para que meninas parem de se martirizar a respeito do formato de seus corpos, eu me peso com muito mais frequência do que eu gostaria e fico de olho nas roupas que ficam folgadas ou voltam a me apertar. Não posso cobrir com um pouco de base os anos em que fui constantemente lembrada de que “ser saudável e bonito é ser magro”. Mas você pode, sim, me chamar de gorda. Afinal, magra é aquela que veste o jeans 36 (hoje em dia, acho que o tamanho almejado já é o 34, né?). E “gostosa” é aquela que pode até vestir o jeans 40, mas não pode ter um pingo de flacidez no corpo. Eu visto 46, às vezes precisa ser o 48, e flacidez é o meu sobrenome, ainda mais depois da gravidez. Sou gorda e flácida, um prato cheio pra ser usado como ofensa, mesmo que nenhuma das duas palavras indique algo ofensivo. Eu não posso calar você que me chama de gorda e nem apagar a sua ideia de que ser gordo é um desleixo que precisa ser consertado com dietas, horas de academia e até uns remedinhos. Então eu preciso aceitar que não são todas as pessoas que vão me aceitar. Isso, acredite, é difícil. Não ser aceita me remete à adolescência e eu nunca soube lidar muito bem. Simplesmente pus tudo numa gavetinha de pensamento ao invés de buscar formas de enfrentar. Mas eu preciso me aceitar. E todo dia eu dou um passo nessa direção. Às vezes, retrocedo dois passos (quando não gosto do que vejo no espelho e passo o dia bebendo água acreditando que isso vai me “emagrecer” quando, na verdade, isso vai acabar me deixando doente). Mas não desisto. E não desisto porque eu quero que, quando você me chamar de gorda, eu não sinta nenhum tipo de incômodo. Eu não desisto porque eu quero acreditar com todo o meu coração na verdade da palavra “gorda”, que é apenas um adjetivo que indica uma característica física e que não tem qualquer relação com saúde, caráter e beleza. Então pode me chamar de gorda porque é o que eu sou, mas não é quem eu sou. Eu não sou um corpo, eu não sou o tamanho de um jeans.

Ana Togashi (@anatogashi) • Fotos e vídeos do Instagram_20150404232957

Criar dói.

Criar dói. Eu deveria saber isso de cor, afinal, crio um menino. E são numerosos os dias em que a dor psicológica vaza pelos olhos de tão grande. São muitas as coisas que fazem uma pessoa em processo de criação se sentir incompetente. Na verdade, não há incompetência alguma no erro, ninguém nasce sabendo. Mas como convencer-se a si mesmo disso? A vaidade é humana e acreditar que somos capazes de tudo o tempo todo é a consequência.

Qualquer processo criativo é doloroso. Há cerca de um mês me matriculei num curso de fotografia. Gosto de fotografar desde que ganhei minha primeira câmera analógica com uns dez anos de idade, se não me engano. Na época do filme era chato pra dedéu ter só algumas exposições e que ficavam bastante ruins porque não dava pra prever o resultado (mesmo que hoje eu saiba que a fotografia analógica pode ser prevista através de medidas convenientes à ela). Quando veio o digital, eu tratei de comprar uma câmera compacta e como ela não me oferecia muito recurso (e nem eu mesma me oferecia porque eu não sabia o básico, eu só via uma cena e disparava o click), eu aprendi a mexer nos programas de edição pra chegar ao resultado que eu queria. Muito esperta, né? Só que os limites cansam. A mim, ao menos. E quando tive uma oportunidade, troquei a compacta por uma reflex, dessas câmeras cujas objetivas (lentes) podem ser trocadas. E com ela eu conseguia fazer muita coisa sem o auxílio do Photoshop. E gostava. Gostava muito. Mas a técnica mesmo eu não tinha, eu só me aproveitava dos recursos programados da câmera, via e cena e disparava o click.

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O curso vinha rolando e eu me divertindo muito nas aulas. Até o momento dos primeiros exercícios técnicos e livres. Foi aí que me embananei com tantos detalhes antes ignorados, já que a câmera cuidava da maior parte deles. E fiz um trabalho que minha vaidade considerou porco. Isso doeu. Criar doeu. Criar algo que não serviu ao seu propósito doeu mais ainda. Quando as fotos foram apresentadas e comentadas com o resto da turma, senti o peso de ter falhado tanto quanto sinto se falho, ao meu ver, com o meu filho. Toda criação nossa é filho também. A gente sonha, nutre, faz o melhor que acredita ser capaz e, no fim, se não sai como o planejado (e nunca sai), sente a dor pungente do erro atravessando o peito.

Eu me senti atravessada pelo professor e pelos demais alunos. Todos, claro, estamos ali pra aprender. E certamente eu aprendi com os comentários e as críticas, mas a vaidade humana é envolvente. Saí arrasada da aula, muito desistimulada, acreditando não ser capaz de executar os tais comandos básicos necessários de funcionamento da fotografia. Voltei pelo caminho lembrando de todas as outras vezes em que supostamente falhei na vida. E foi aí que percebi que, muitas dessas vezes, a falha (ou o que quer que eu tenha considerado falha) se fazia necessária. A falha é útil na criação. E ela é também inevitável. Especialmente no começo.

Respirei fundo e saquei a câmera, mais uma vez. Vou refazer os exercícios, vou reler os textos, vou recomeçar. Todo dia eu recomeço com meu filho. Ele tem quatro anos e todo dia me ensina coisas diferentes sobre como viver a vida. A fotografia funciona de forma parecida. É como um novo filho, um novo processo. E a única forma de desbravá-lo é, eventualmente, falhando. A incompetência não está na falha, mas na falta de vontade de lidar com a falha, o que pode ocasiona-la mais vezes.

E tendo isso em mente, sigo. Na vida e na fotografia.