Quando? Como?

"I live my life for you, I wanna be by your side in everything that you do..."

“If there’s only one thing you can believe is true: I live my life for you…”

Abandonei muita coisa nos últimos anos… Ter um filho, sem uma programação prévia, mexeu com a minha vida mais do que eu vejo mexer com a vida das pessoas. Tem sempre alguém me dizendo que eu retome minha vida. E eu penso: retomar o quê? A vida que eu tinha antes não mais me pertence. Saí de casa, aprendi (quase que na marra) a me virar em diversos aspectos e a rotina que eu tinha não se aplica mais.

Deixei minhas pretensões fotográficas e literárias para traz porque meu cérebro tá sempre exausto demais para “ser criativo”. Abandonei os blogs, abandonei a câmera. Perdi a vontade de criar. Não escrevo mais diários, crônicas, contos… Nem sequer leio! Passo dias sem ouvir música… Como pode? Só me maqueio se tenho motivo, só me visto bem se vou sair pra fazer algo diferente, o que vem se tornando cada vez mais raro. E não encontro forças pra começar de novo. Não encontro maneiras de começar de novo porque alguém depende de mim pra tudo. E eu teria que depender dos outros, passar o bastão… E os outros, bem, os outros tem suas vidas. Então me resta viver a minha que está cheia de abandonos. De desistências. De coisas que pra eu poder fazer, preciso de alguém que cuide do meu filho.

Minha terapeuta me diz que quando meu filho for um pouco mais independente, eu vou ter que conviver com um grande vazio porque agora passo os meus dias cuidando dele e das coisas dele. É possível. Já sinto um grande vazio agora, um vazio de não produzir nada, como se eu estivesse jogando fora tudo que sabia fazer e que achava bom. Mas ela não tem filhos e não sabe o que é depender dos outros. Taí uma das coisas que mais me chateia: depender dos outros. E pra não depender, me resta fazer tudo sozinha. Fazer tudo sozinha é abrir mão das minhas coisas.

Há uns dias tenho refletido sobre isso. Sempre que alguém aponta o dedo me dizendo que eu tenho que retomar a minha vida, afinal, meu filho já vai completar três anos, fico pensativa. Fico buscando maneiras de conciliar tudo e é sem sucesso. Sento pra escrever e o cansaço mental não deixa. Pego a câmera e percebo que esqueci boa parte das coisas que sabia fazer com ela. Se tenho um tempo livre, começo a ler e durmo em cima das páginas…

Retomar, recomeçar… Quando? Como?

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